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Especialistas alertam para golpes na internet e fora dela

OGLOBO, 02-2017 Brasil.

Uma das principais dicas é nunca fornecer senha por telefone

Qualquer pequena desatenção pode ser o suficiente para uma grande dor de cabeça e um prejuízo no bolso. Nestes tempos em que tudo se resolve pela internet, da conta do banco ao aluguel do apartamento, a criatividade e o requinte dos golpes na praça não param de surpreender. Quem está fora da rede, no entanto, também não está seguro. Na lista de alertas, elaborada por especialistas em defesa do consumidor, há casos de um mesmo apartamento que aparece em anúncios de área nobre de São Paulo e do Chile, envio de boletos falsos e até ligações de fraudadores se passando por representantes de instituições financeiras. Tudo tão bem feito que até mesmo quem é bem treinado corre o risco de cair na armadilha, como conta a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, que quase se tornou uma vítima.

— Aguardava o envio de um novo cartão, quando recebi uma ligação. A pessoa que se identificava como atendente do banco pediu para que confirmasse meus dados. Só desconfiei quando disse que entraria uma gravação para que eu cadastrasse as informações. Foi muita coincidência — conta a advogada, que imediatamente encerrou a conversa e ligou para o banco, onde confirmou o golpe.

— O banco não pede a senha, seja qual for a operação, se a ligação não partiu do próprio cliente. Na dúvida, não forneça seus dados ou prossiga com a operação em aplicativos.

Qualquer um pode ser vítima de golpistas, diz Ione. Mas há um perfil mais suscetível a este tipo de ação, alerta: são pessoas que não têm o costume de lidar com smartphones ou computadores e as suas ferramentas. Essa falta de intimidade com a tecnologia, ressalta, leva este consumidor a prestar informações desnecessárias e a entrar mais facilmente no jogo arquitetado pelos fraudadores.

Recentemente, por exemplo, uma quadrilha, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, forjou uma fraude em aplicativo bancário, que bloqueava o serviço e redirecionava o consumidor a um caixa automático específico já preparado para carregar seus dados para um sistema pirata, que permitiria acesso a sua conta corrente.

SEM RESPOSTAS A SMS

Diógenes Donizete, coordenador do Programa de Atendimento ao Superendividado do Procon-SP, chama atenção para outro golpe na praça: o de empresas que se apresentam como terceirizadas autorizadas a cobrar dívidas pelos bancos:

— Há casos em que elas chegam a emitir boletos, o cliente paga e, quando chega ao banco, a dívida continua lá. Antes de negociar qualquer débito que não seja diretamente com a instituição credora, você tem que verificar com o banco.

A delegada Daniela Terra, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, recomenda que não se responda a mensagens de SMS ou e-mails que solicitem atualização de dados bancários:

— Já tivemos casos de criminosos que enviam mensagem SMS ou e-mail se passando por funcionário de banco, solicitando que o consumidor acesse o link. Ao acessá-lo, a vítima é encaminhada a uma página falsa na qual é solicitada sua senha para uso em transações fraudulentas.

Há ainda os “espertos”, que se aproveitam da falta de clareza da informação prestada pelo extrato bancário para enganar o cidadão de boa-fé. Como aconteceu, no início deste mês, com o empresário Leonardo Drummond. Ele negociou um computador de última geração, por R$ 17,5 mil, para comprar um mais moderno para o seu trabalho. Na hora do pagamento, o suposto comprador insistiu para fazer o depósito numa conta do Bradesco e apresentou o comprovante. Ao verificar seu extrato, Drummond percebeu que o valor aparecia como bloqueado, mas estava somado ao saldo total da conta. Por inexperiência, admite, liberou o equipamento. Dias depois, o empresário descobriu que o dinheiro não havia sido depositado de fato.

— Aparecia que o valor estava bloqueado, mas não tinha ideia que se tratava de um golpe. Não acho que o banco seja culpado, mas existe alguma particularidade que dá margem ao erro, facilitando a ação de golpistas — afirma Leonardo, que, após o acontecido, pesquisando na internet, descobriu vários casos usando o mesmo tipo de transação com clientes do Bradesco.

Procurado, o Bradesco informou que o cliente deve considerar apenas o valor apresentado no extrato como “saldo disponível” e não o “saldo bloqueado”, que está em processo de compensação. Na dúvida, recomenda entrar em contato com a agência para confirmação. Perguntado se os golpes não poderiam levar a instituição a mudar a informação no extrato, o Bradesco afirmou estar ainda avaliando a possibilidade.

Advogado especialista em direito do consumidor, Thiago Vezzi lembra que boleto e deposito bancário são os meios de pagamentos mais suscetíveis a fraudes. Para o comprador, diz, o mais indicado é o pagamento por cartão de crédito, pois, se não receber a mercadoria, tem como pedir o estorno. Já para quem está fazendo uma venda a uma pessoa física, dependendo do valor, recomenda transferências por DOC ou TED, e que a liberação do produto só seja feita após a confirmação do procedimento.

BARATO QUE PODE SAIR CARO

Já ouviu aquela máxima de quando a esmola é muita o santo desconfia? Um suposto estrangeiro andou oferecendo no site de intermediação imobiliária Imovelweb um apartamento em áreas nobres de São Paulo por R$ 1.500, mas pede dois aluguéis adiantados. Ele diz que vai voltar para “casa” e não quer se desfazer da unidade. Mas quem se deu ao trabalho de pesquisar achou a foto do mesmo apartamento em outros países da América do Sul.

Mateo Cuadras, diretor executivo do Imovelweb, diz estar ciente do golpe e alerta que os fraudadores usam os maiores portais para encontrar suas vítimas. A empresa, afirma o executivo, já tirou o anúncio do ar.

— Se identificamos um anúncio fraudulento, entramos em contato com o anunciante para averiguação e, caso não tenhamos retorno, o retiramos do ar — diz Cuadras, que orienta o internauta que suspeitar de fraude a relatar o problema para que providências sejam tomadas.

Quem está vendendo na internet tem de se identificar, fornecer CPF, CNPJ, telefone, forma eletrônica de contato, endereço. Se não tem esses dados à disposição, já é uma irregularidade, e o consumidor tem de desconfiar, diz Fátima Lemos, assistente de direção do Procon-SP:

— Vale aprofundar pesquisa, fuçar na internet, redes sociais, Procons, para ver se não há denúncias, e também a avaliação dos internautas. Independentemente de ser pessoa física ou empresa, tem que ser transparente com o consumidor.

Mesmo os contratos pessoais merecem atenção. A veterinária Luiza Piva, por exemplo, acusa a banca IBFC de praticar um golpe contra os candidatos de concurso. Aberta a inscrição para a prova, os interessados pagaram a inscrição, de R$ 55. No entanto, um dia antes do encerramento do prazo, receberam da instituição uma mensagem informando que a inscrição não havia sido paga, e que era preciso fazer novo depósito para garantir a participação na prova. Meses depois, conta ela, a banca abriu um link no site para pedido de devolução, num prazo máximo de 15 dias.

— Eles cobram duas vezes e não se preocupam em devolver o dinheiro. Liguei diversas vezes, e me falavam que estavam analisando meu pedido — afirma Luiza, que só foi reembolsada este mês, após reclamar à “Defesa do Consumidor”.

A IBFC não respondeu à carta da leitora a esta seção. A repórter tentou contato por telefone e e-mail e também não obteve retorno.

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